Because lists calm me and I need something to do while the back of my brain thinks about important work stuff.
  • Colorful gourmet fancypants candy
  • Chocolate covered almonds
  • Sugar coated almonds
  • Candy corn
  • One chocolate bunny
  • Two  small chocolate chicks
  • One bag of Dragibus (kind of round jelly beans)
  • 5 pieces of Gorila gum in the following flavors: coke + lemon, passion fruit, strawberry, mint
  • Spearmint Altoids
  • 1 mint hard candy
  • 5 dark chocolate cereal bars

Summary of what I have in my work drawer:
  • Diabetes

May. 17th, 2012

Some women have lots of shoes, I have lots of issues.

O acordar veio com um lento abrir de olhos. Antes sequer de tentar reconhecer onde estava, apercebeu-se da forte dor de cabeça, dor que aguardara que ele recuperasse a consciência para se fazer notar.
Foi a tentar levar as mãos às têmporas, para tentar empurrar a dor mais para dentro, onde se calasse, que se apercebeu de que os seus movimentos estavam restritos. Os pulsos amarrados aos braços de uma cadeira tornaram-no subitamente alerta, talvez até em pânico, e aí sim começou a tomar nota do que o rodeava.
Aquela cadeira que o prendia podia ser uma simples cadeira, se não o tratasse de forma tão hostil. Aquelas paredes pareciam recém-pintadas. Aquela cama era-lhe... familiar.
Foi a meio deste lento construir, peça a peça, que o audível click da fechadura da porta a trouxe para dentro do quarto.
"Que simpático da tua parte juntares-te a mim. Já achava que não poderia contar com isso hoje."
Sorriu-lhe, porque sorrisos escondiam tanto.
"Bem-vindo ao terceiro dia", disse, e, pegando num bastão, remeteu-o de volta para o mundo de sonhos de onde há pouco tinha regressado.

.

Recuperou os sentidos no que tanto poderia ter sido horas como dias mais tarde.
Já não estava preso à cadeira. Na verdade, já não estava na cadeira, mas sim deitado sobre a cama. Ao seu lado, na mesinha de cabeceira, um tabuleiro com bolachas. Sumo de laranja. Comprimidos. Uma orquídea numa jarra esguia.
Fraco, viu-se tomado por um sentimento de paranóia a que alguns poderiam chamar de instinto de sobrevivência. Não conseguia identificar o que é que naquele tabuleiro era o veneno, e o que era o antídoto, pelo que não arriscou nada senão ajeitar-se na cama, tentando sentar-se de modo a tentar estudar os arredores uma segunda vez.
Soltou um grunhido de dor, tão inesperado quanto impossível de conter. Um pouco como quando se ama alguém.

Este seu sinal de vida, canto de sereia, trouxe-a de volta. Foi apenas com os barulhos dos saltos aguçados ferindo o soalho que conseguiu perceber onde estava e, mais importante ainda, porquê.

"Gosto do que fizeste com este sítio", disse, recebendo-a no quarto. Ela poderia ter-lhe tirado tudo, mas não a iniciativa. Pelo menos, não sem lhe prender os pulsos.
"Agradável, não é? Consegui recuperar algumas coisas antigas. Uma casa para dois. Oh", acrescentou, desapontada, "não comeste nada ainda."
Tentou chegar-lhe o copo de sumo aos lábios, que ele prontamente rejeitou. O que lhe faltava em força física tinha ainda em força de vontade. De viver mais um dia, pelo menos.
"Vá lá", insistiu ela, "é seguro. Eu não te quero fazer mal. Não assim."
Bebeu um pouco, o suficiente para lhe provar que era inofensivo, mas ele estava demasiado familiarizado com a história da Branca de Neve para acreditar. Ela que mordesse essa maçã, tanto quanto quisesse, que ele nunca o faria. Continuou sem demonstrar qualquer interesse por aquela refeição, fosse a sua última ou não.

Com olhos suplicantes, perguntou-lhe porquê, e ela virou-lhe as costas, o que se traduziria por "Como se não soubesses já".
Foi assim que ele soube que já era tarde demais para qualquer pedido de desculpa. Bom, isso era um indício. As nódoas de sangue coagulado seriam outro.

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Quando viveres sozinha...

Dança, imenso. Provavelmente já não vai ser a Moves Like Jagger, mas haverá outras.

Arrasta a bicicleta de exercício para o meio do quarto para poderes andar nela enquanto vês séries.

Manteiga. Já chega de margarina durante 15 anos.

Lembra-te que, no verão, roupa é para os fracos. Mas não negligencies o poder de cortinas fechadas, durante estes dias.

No inverno, usa as calças largas de tecido polar. Sim, as que arrastam no chão.

Sabe que uma refeição pode ser feita de pão e salada, sem ser preciso carne ou peixe ou queijo, desde que se escolha o molho certo.

Lembra-te que gostas de pickles, batata palha com ketchup, mostarda savora. Tudo isto na mesma sandes.

Relembra-te dos poderes curativos de um longo duche quente. Mas não demasiado longo, porque não devemos desperdiçar água e também porque agora és tu que pagas as contas.

Aprende a dominar a arte da massa com chouriço, queijo e pimenta.

Telefona, faz uso do plano de chamadas grátis, ri muito, ri alto.

Comida que passou do prazo de validade é só um desafio.

(I get extra defensive when I'm slightly embarassed about something.)

Part deux.
(First part would be
here.)


Xx kept typing away, staring at the screen, jotting things down, monitoring Sally’s signals and stats.
“I’m fine, I’m healthy!”, said the recently revived girl, “Just let me get off this table.”
“No, not yet. I just need some more time.”

Sally was bored.
Ten minutes ago she had attempted to play the “red wire or blue wire” game with those things plugged to her legs and chest, but Xx had not found that amusing and slapped her hand away when she reached for the pliers.
Sally had run out of ideas, because she wasn’t entirely used to having them yet.

“My brain feels foggy. I want to go outside, maybe the fresh air will help.”
“You’ll go when you’re ready. Those symptoms you’re experiencing seem to be normal, but I need to make sure you’re fully functional before I let you go outside. We can’t afford to risk anything. I am sure you remember angry mobs, torches and pitchforks; while things aren’t exactly like that anymore, they haven’t changed much either. It's dead serious.”
Dead being the operative word here.”

Xx didn’t allow herself the pleasure of laughing (unless it was for the purpose of learning from the aftermath and documenting the conclusions), but she was very fond of Sally. It - she - was, after all, her pet project.
So she gave her a patient smile, and turned back to the screen.

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A (in)Eficácia da Palavra Escrita

Nota: O título tinha sido simplesmente escrito, sem ser pensado, para combater o “Untitled”. Mais tarde, o título precisou de algo mais entre parênteses, porque continuo tão acordada como quando comecei. Mas desisti.


Contem-me porque é que é de noite e estamos aqui.
Contem-me de que nos escondemos.
E contem-me que sonhos escapam àqueles que não dormem.

A noite não traz consigo o silêncio que nos permita pensar.
Lá fora, todas as outras vidas (excepto a dela) continuam. Cada som isolado serve apenas para nos relembrar dos nossos olhos abertos, expectantes, como que pedindo que o tecto se abrisse e dele caíssem respostas.

A menina escreve isto num domingo à noite, trazendo consigo uma raiva imensa. Somos todos cúmplices desta raiva. E juntos, corremos o risco de não mais adormecer, perdendo horas a lamber feridas que não saram.

Os sons continuam a derramar pela janela dentro, arritmicamente.

Também as paredes são tão mudas e inúteis como o tecto. Apenas servem para criar distância. Não nos protegeram, não como deveriam, e também não nos vão impedir de ter que lidar com o mundo amanhã, de visão turva e salgada.
Como sal deitado na terra. Uma ameaça de que nada mais crescerá aqui.

Não fosse o domingo um dia já repleto de ameaças.


A menina estende as mãos ao nada. Abraça o vazio.
Engole e inspira o finito. Estremece, pedindo que tudo termine.

Mas os seus olhos continuam abertos.
Não há nenhuma canção de embalar para aqueles que mais a esperam, aqueles que deveriam até saber a letra de cor. As últimas palavras antes de adormecer.

Contem-me porque é que se diz que quem espera sempre alcança.
Contem-me em quem depositámos nós essa esperança, se a espera é um exercício inútil.
Contem-me porque é que o amanhã nunca tarda, especialmente quando estamos à distância de um toque.

Ficamos acordados com a possibilidade de que ninguém a quer tocar. Aí sim, surge um silêncio ensurdecedor, que anula tudo à sua volta de forma a ficar frente a frente com a verdade. De pulsos e tornozelos amarrados por estas palavras, não consegue bater os calcanhares três vezes. Não consegue fechar os olhos e transportar-se para a manhã seguinte. Não consegue acordar e dizer “foi tudo um sonho”.

Ficamos acordados com a plena consciência de que ninguém a quer tocar.
O espírito pesa, mas as pálpebras não.

A menina grita, chamando por algo ou alguém. Toma novo fôlego e acusa, chamando algo a alguém. O corpo contorce-se porque não sabe como parar de doer. E nós nada fazemos, porque não sabemos como impedir o imperfeito.

Que atire a primeira pedra aquele que nunca a ouviu. O que não é cúmplice. O que não criou laços.
E que acabe de uma vez com esse sofrimento, para a noite voltar a ter silêncio.



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Jun. 9th, 2011

"A Sagres vai disponibilizar, no próximo dia 12 de Junho, um autocarro que vai transportar, de forma gratuita, pelas Festas de Lisboa, todos os que queiram juntar-se à festa nos bairros típicos da cidade"
(Source)

Esgotaram as reservas naturais de vírgulas de Portugal.

Portugal merece o nosso melhor

Por um Portugal melhor.
E pela minha curta passagem pelo mundo da fama nos audiovisuais.

the closest to fanfiction I have ever gone

It was a dark and stormy night.
There is no way to go around this description; it simply was such a night, because once in a while it will be and, during that while, something interesting will happen.
We could say that this was the case.

XX worked with the cackles of thunder as her background music, filling the nearby hills, slowly approaching. XX was a girl, as her name could imply, if you really thought about it.
It was a pleasant evening to be working, one with no distractions, even if with a limited timeframe to act. Nothing could be heard apart from the angry thunderstorm, akin to theatrical tinfoil, inching closer and closer. Soon enough, the storm would be above the laboratory. And her work would be done, at least for the night.

XX counted the seconds on her wristwatch. With perfect timing, she pulled a comically large lever (purposely built that way) and white light filled the room.

Something in the table next to her moved, and the crackling of static electricity was audible.


It worked. Sally had been brought to life by lightning. Her maker smiled, in the very same way a mother would smile.
“Rumors of your death have been greatly exaggerated, my dear. Welcome back.”

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Vi-a pela primeira vez perto das tortas DanCake, aqueles displays que se montam nos pontos de venda. Estava na fila para pagar e, por puro acaso, virei-me para trás e fixei-me nela. Quanto mais penso nesse dia, mais me parece impossível não o ter feito.

Tinha um cabelo tão imaculadamente penteado, nada fora do sítio. Foi a primeira coisa em que reparei.
Levava um dedo ao queixo, um ar pensativo. Os olhos vagueavam para um canto, procurando ir buscar algo ao hemisfério direito, artista e sonhador.

Tão perfeita, tão imóvel, indecisa por que torta levar. Queria saber tanto mais sobre ela.


Sabia que era não era possível que ela reparasse em mim, pelo que não me contive de estudar a sua cara e memorizar cada pormenor. Para mais tarde, para em sonhos.

Não sou o tipo de pessoa que sonha acordado, mas por momentos, pensei que sim. Na mesma semana voltei a vê-la na Blockbuster.

Imaginava-a como uma fã de comédias românticas, mas não o pude confirmar.
Desta vez consegui ficar a olhar para ela mais tempo, enquanto remexia  em caixas vazias de DVDs, querendo parecer indeciso.

O mesmo cabelo imaculado. O mesmo ar indeciso. O mesmo sorriso de quem sabe algo e o projecta numa qualquer frase a flutuar acima de si.

Desisti de tentar ler-lhe os pensamentos e fui para casa, angustiado por não lhe poder falar.
Porque é que não podia ser mais fácil?


Confessei-me a um amigo. Trabalhava numa agência de publicidade, no mesmo prédio que eu. Encontrávamo-nos depois das 7 da tarde, quase todos os dias. E num momento de fraqueza, coagido por cansaço ou culpa, precisei de partilhar a minha recém-adquirida obsessão. Ele compreenderia.

Para minha surpresa, ele sabia perfeitamente quem ela era. Via-a sempre que, a caminho do trabalho, passava pelo Minipreço. Disse-me que ele próprio não conseguia evitar reparar nela.

Senti uma ponta de inveja, uma vontade de, de...

"Arranjo-te o número dela."

...o meu bom amigo da publicidade.


Mal dormi.

No dia seguinte, aguardei o prometido e-mail ou mensagem que me seria enviada assim que ele chegasse ao trabalho.
Nunca chegava antes das 10h.

Às 10h37, o meu telemóvel vibrou em cima da secretária.
O meu bom amigo da publicidade tinha cumprido a sua promessa.

"iStockphoto 34200742 "

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